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Confira os componentes e as ligações de circuitos residenciais de baixa tensão

Com um custo que, em geral, não atinge 2% do valor total da obra, as instalações elétricas residenciais são, muitas vezes, negligenciadas, tornando as edificações menos seguras. Neste infográfico, você verá qual é a maneira correta de instalar os componentes e passar a fiação em um circuito de baixa tensão. Todos os materiais utilizados, como fios, cabos, disjuntores, interruptores e eletrodutos, devem contar com certificação do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

1. Fios e cabos 

A fiação é, geralmente, em cobre. São envoltos em PVC – ou outro material isolante – que suporte temperaturas de até 70ºC. O dimensionamento da bitola considera a capacidade de condução de corrente de acordo com a tensão da rede e a quantidade e o tipo de equipamentos instalados

2. Cores

A norma recomenda que o fio neutro seja azul e o fio terra seja verde e amarelo

3. Espelho

Espelho da caixa de luz é a parte aparente, onde ficam tomadas e interruptores

4. Caixas de passagem 

Também chamadas de caixas de derivação, são embutidas nas paredes ou lajes. Acomodam tomadas, interruptores ou pontos de luz. São interligadas pelos eletrodutos

5. Emendas 

As derivações só podem ser feitas no interior das caixas de passagem e nunca ao longo dos conduítes

6. Conduítes

Os eletrodutos são tubos para passagem e proteção dos condutores. Podem ser aparentes, fixados por abraçadeiras, ou embutidos em paredes e lajes. Os cabos não podem ocupar mais do que 60% de sua seção para não restringir a ventilação ou provocar esforços no isolamento dos condutores

7. Circuitos dedicados 

É recomendável que equipamentos elétricos como fornos de microondas, geladeiras e máquinas de lavar contem com circuito dedicado

8. Resistências

Circuitos que alimentam torneiras elétricas, chuveiros ou outros tipos de resistência não podem ter emendas ou derivações

9. Tensão 

Em regiões onde a alimentação da rede pública é feita em 127 V, tomadas com tensão de 220 V contam com dois condutores fase e um terra

10. Disjuntor

A função do disjuntor é proteger o sistema elétrico, desarmando quando a corrente exigida pelos aparelhos é superior à suportada pela fiação

11. Tomadas 

Use apenas tomadas no novo padrão brasileiro, com três pinos

12. Quadro de distribuição 

Aloja dispositivos de proteção, chamados de circuitos terminais, cuja função é alimentar os pontos de consumo. Deve ficar em local de fácil acesso, preferencialmente junto à porta de entrada, para permitir acesso rápido caso seja necessário desligar a energia elétrica

13. Quadro de medição

O quadro de medição abriga o aparelho que mede o consumo e também o sistema de aterramento. Dele, sai o conjunto de condutores – até três fases, além de um neutro e um terra -, que segue até o quadro de distribuição

14. Aterramento 

Aterrar significa colocar o circuito elétrico em contato com o solo para, no caso de surtos, a corrente se dispersar

15. Sobrecarga

Não utilize réguas ou “Tes” para ligar mais de um equipamento por tomada

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Saiba as definições de áreas em construções

Definição de áreas

Na maioria das vezes quando nos perguntamos sobre a área do nosso apartamento, nos enganamos na sua definição; aqui vamos colocar tudo no devido lugar para que você não cometa equivoco na hora de contratar a construção ou a compra da unidade:

 

ÁREA PRIVATIVA – É aquela  onde o proprietário detém a integridade do seu domínio, constituído pela superfície limitada pela linha externa que contorna as paredes das dependências de uso privativo e exclusivo do proprietário, sejam elas cobertas ou descobertas e pelo eixo das paredes que separem de outra unidade , no mesmo piso.  O mercado utiliza, via de regra, outras expressões, como área útil, e até mesmo ‘área de vassoura’, para denominar aquela situada dentro do ambiente exclusivo do condômino.  Importante ressaltar que esta é a área individual, a área em que o condômino detém todo o seu domínio, restrito aos limites, sendo portanto a área mais importante no momento da compra e sobre a qual o adquirente atribui a maior importância, devendo inclusive ser objeto direto de questionamento quando da transação.

 

ÁREAS DE USO COMUM:  Aquelas que podem ser utilizadas em comum por todos os propretários das unidades autônomas, sendo franqueado o acesso, seu uso e gozo, de forma comunitária, constituídos, por exemplo, pelo hall do prédio, áreas de lazer, corredores de circulação, etc.

 

ÁREAS DE DIVISÃO NÃO PROPORCIONAL:  Aquelas de uso privativo ou comum a uma ou várias unidades autônomas, independente de qualquer relação de proporcionalidade com as respectivas áreas privativas de construção, ou seja, áreas que, embora situadas fora da área privativa e exclusiva do uso do condômino, são a ele pertencentes, podendo também pertencer a mais de um condomínio.  O exemplo mais usual da área de divisão não proporcional são as vagas de garagem, que embora situadas em local de uso comum, a sua utilização se restringe ao titular da unidade autônoma correspondente ao respectivo box.

 

ÁREAS DE DIVISÃO PROPORCIONAL –  Aquelas de uso comum, distribuídas às unidades autônomas na proporção dos respectivos percentuais que ocupam na edificação.  Assim todos compartilham, na proporcionalidade de suas respectivas frações, as áreas que são comuns a todas as unidades.

 

ÁREA DE CONSTRUÇÃO – Soma da área privativa da unidade autônoma, com as parcelas de uso comum, formando assim a área total de construção, que corresponde ao montante que o proprietário da unidade possui no futuro empreendimento, chamando a atenção para não confundi-la com a área privativa, restrita à unidade e ao uso exclusivo do proprietário, haja vista que a área total é utilizada para efeito de cálculo do rateio das despesas de construção, uma vez que o pagamento do custo da obra impõe gastos não só com a unidade privativa, mas também com as partes comuns, bem como para lançamento de IPTU.

 

ÁREA EQUIVALENTE DE CONSTRUÇÃO –  Aquela estimada ou fictícia, baseada no custo unitário básico aplicável ao empreendimento, tendo o mesmo valor monetário que o efetivamente calculado para a área real correspondente.  Assim, num exemplo claro, a área de uma garagem equivale, para efeito de custeio, por exemplo, à metade do valor da área de um apartamento, ou seja, o dispêndio para se erguer um metro quadrado de garagem é o mesmo para se erguer meio metro quadrado de um apartamento, assim como às áreas descobertas é atribuido um percentual de valor de 25% correspondente à área de um apartamento, por exemplo.

 

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Mudanças no uso e falhas de manutenção induzem a acidentes com pontes e viadutos

Infiltrações, juntas danificadas e armaduras expostas são indicadores de que obras de arte especiais em concreto armado precisam de intervenção urgente

Texto: Juliana Nakamura

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Viadutos podem ceder por erros de projeto ou construtivos (foto: Leon Rodrigues/Secom)

Embora duráveis e resistentes, viadutos e pontes de concreto armado não são eternos, nem podem prescindir de manutenção. Os paulistanos constataram isso em novembro de 2018, quando parte de um viaduto da Marginal do Rio Pinheiros, a 500 metros da Ponte do Jaguaré, cedeu cerca de dois metros, interrompendo uma das vias de circulação mais importantes para a cidade.

POR QUE UM VIADUTO CEDE?

Além de possíveis erros de projeto e construção, acidentes podem acontecer por mudanças nas condições de utilização e por falta de manutenção da estrutura

Roberto Kochen

Há vários fatores que contribuem para uma ocorrência como a vista em São Paulo. “Além de possíveis erros de projeto e construção – o que não foi o caso no viaduto da Marginal – acidentes podem acontecer por mudanças nas condições de utilização e por falta de manutenção da estrutura”, explica o engenheiro Roberto Kochen, diretor do Departamento de Infraestrutura do Instituto de Engenharia do Estado de São Paulo.

Ele destaca que o viaduto da capital paulista foi inaugurado há 40 anos para receber um volume diário médio (VDM) de cerca de 38 mil veículos. “Hoje este VDM deve ser três vezes maior, sem contar que os caminhões dos anos 1970 pesavam até 36 toneladas-força. Atualmente, as normas brasileiras permitem o tráfego de caminhões com até 45 toneladas-força”, compara Kochen.

Vale lembrar!

Pontes e viadutos são estruturas que se movimentam verticalmente, pela quantidade de carga que recebem, e horizontalmente, em função do tráfego de veículos.

FALTA DE MANUTENÇÃO

Especializado em perícias de engenharia, o engenheiro Celso Amaral explica que obras de arte especiais costumam dar avisos de que precisam de intervenção. “As estruturas começam a apresentar patologias, recalques, fissuras e desnivelamentos, cujos avisos não podem ser ignorados pelo poder público”, afirma Amaral.

“Problemas como infiltrações, juntas danificadas ou com presença de vegetação, aparelhos de apoio danificados ou fora do prazo de validade, além de fissuras e trincas indicam a necessidade de intervenção no menor prazo possível”, acrescenta Kochen.

De acordo com o diretor do Instituto de Engenharia, a inspeção em pontes e viadutos deve ser periódica, a cada seis meses ou a cada ano, dependendo da complexidade, do tamanho e responsabilidade da estrutura. “Esta inspeção rotineira pode ser visual, com análises anuais ou bianuais mais detalhadas, envolvendo atividades e ensaios mais completos para avaliar a condição de segurança da estrutura como um todo”, explica Roberto Kochen. Há, inclusive, uma norma brasileira que regulamenta a inspeção de estruturas como pontes e viadutos, a ABNT NBR 9.452/2016 – Inspeção de Pontes e Viadutos, Passarelas de Concreto – Procedimentos.

“Em obras de arte de pequeno porte, a vistoria técnica pode acontecer a cada cinco anos. No entanto, obras com grandes vãos e métodos construtivos sofisticados, como as pontes estaiadas ou as protendidas, devem ser vistoriadas anualmente”, informa Amaral.

Em obras de arte de pequeno porte, a vistoria técnica pode acontecer a cada cinco anos. No entanto, obras com grandes vãos e métodos construtivos sofisticados, como as pontes estaiadas ou as protendidas, devem ser vistoriadas anualmente

Celso Amaral

MEDIDAS CORRETIVAS

A solução de acidentes como o ocorrido em São Paulo costuma envolver a estabilização da estrutura com escoramentos tubulares metálicos, seguida do reforço da estrutura.

No caso específico do viaduto da Marginal Pinheiros, foi necessária a instalação de um pilar de alívio (metálico) no local da estrutura que se rompeu. A estrutura que cedeu foi recolocada no seu local de origem com a ajuda de seis macacos hidráulicos, cada um com capacidade de erguer até 300 toneladas.

“Com a estrutura estabilizada, os engenheiros deverão decidir por uma nova fundação, ou reforçar a existente para que o novo pilar a ser construído seja estável e definitivo”, comenta o engenheiro Celso Amaral.

COLABORAÇÃO TÉCNICA

Celso Amaral – Engenheiro formado pelo Instituto de Ensino de Engenharia Paulista, é um dos fundadores da Amaral d’Avila, onde atua como diretor há 28 anos. Possui expertise em avaliações de riscos, responsabilidade civil, perícias de engenharia, estudos e consultorias em fusões e aquisições e, ainda, estudos de patrimônio.
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Roberto Kochen – Engenheiro civil com mestrado e doutorado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Presidente e diretor técnico da Geocompany, é também diretor do Departamento de Infraestrutura do Instituto de Engenharia do Estado de São Paulo e professor na Escola Politécnica e na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.
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Descoberta melhora “DNA” das micropartículas do cimento

Inovação está em dar formas geométricas regulares aos cristais durante o processo de transformação em concreto

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Imagem mostra micropartícula do cimento em forma de cubo. Descoberta torna material mais forte e durável. Crédito: Rice University

Pesquisadores da Rice University, em Houston-Texas, nos Estados Unidos, decodificaram as propriedades cinéticas do cimento e conseguiram programar as partículas microscópicas do material para que elas se arregimentem quando em contato com a água e demais agregados durante o processo de transformação em concreto. A inovação está em dar formas geométricas regulares às partículas na fase de cristalização, em vez de permitir que elas formem aglomerados desordenados, os quais costumam deixar vazios no concreto, por onde penetram as manifestações patológicas – principalmente, as infiltrações.

Com o ordenamento das micropartículas elas podem tomar formas de cubos, esferas ou prismas. Isso possibilita um concreto menos poroso e mais durávelOs pesquisadores batizaram o estudo de “cimento programável” e comparam a descoberta a uma modificação genética no DNA de células. Em escala nano, a equipe à frente da pesquisa conseguiu sintetizar o hidrato de silicato de cálcio (CSH), garantindo-lhe formas específicas. “O cimento programável levará a estruturas mais fortes, que podem ajudar a reduzir as emissões de carbono”, avalia Rouzbeh Shahsavari, professor do departamento de engenharia civil da Rice University.

Ao publicar a pesquisa no Journal of Materials Chemistry A, Rouzbeh Shahsavari explica como sua equipe conseguiu dar forma às micropartículas de cimento. “Técnicas anteriores para ordenar os cristais exigiam altas temperaturas, tempos de reação prolongados e uso de precursores orgânicos, mas nenhuma era eficiente. O que fizemos foi adicionar pequenas quantidades de surfactantes iônicos positivos e negativos e silicato de cálcio à CSH, expondo a mistura a dióxido de carbono e som ultra-sônico. As partículas tomaram forma em 25 minutos. Uma vez que as calcitas se formam, elas acionam as moléculas ao seu redor para se organizarem em cubos, esferas e outras formas”, escreve Shahsavari.

Pesquisa partiu de estudo do Massachusetts Institute of Technology em 2009

Os pesquisadores da Rice University partiram do estudo desenvolvido no Massachusetts Institute of Technology, em 2009, quando foi conseguido decodificar o “DNA” molecular do cimento. Para Rouzbeh Shahsavari, as estratégias desenvolvidas durante o projeto podem ter implicações em outras áreas, incluindo engenharia de tecido ósseo, entrega de medicamentos e materiais refratários, assim como a indústria cerâmica e de colóides.

No entanto, o professor afirma que sua equipe tem foco exclusivo no concreto. “O concreto usado hoje é um material amorfo com porosidade significativa, o que afeta sua força e durabilidade. A nova técnica tem vários benefícios. Um deles é criar um concreto mais forte, por causa do melhor agrupamento das partículas. A outra é que ele vai ser mais durável. Menos porosidade torna o material mais resistente a invasores químicos indesejáveis, permitindo que o concreto faça o trabalho de proteger sua estrutura de aço com mais eficácia”, finaliza.

Acesse a publicação original da pesquisa.

Entrevistado
Rouzbeh Shahsavari, professor do departamento de engenharia civil da Rice University 
(via assessoria de imprensa da Rice University)

Contato: rouzbeh@rice.edu

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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ABNT NBR 6118

Sua estrutura de concreto passa por controle de qualidade?

Guia orienta como proceder para realizar uma correta Avaliação Técnica do Projeto, com base na ABNT NBR 6118

ATP

É fundamental para o sucesso da ATP que seja contratado um profissional habilitado para a avaliação técnica do projeto. Crédito: Divulgação

Os requisitos de qualidade e conformidade previstos na ABNT NBR 6118:2014 – Projeto de estruturas de concreto – Procedimento – recomendam que estruturas de concreto passem por averiguações de conformidade antes, durante e após a execução. Trata-se de um processo de controle de qualidade conhecido como ATP (Avaliação Técnica do Projeto) o qual tem três etapas fundamentais: análise de estabilidade e rigidez do sistema estrutural, verificação de dimensionamento de pilares, vigas, lajes e travamentos, e emissão de relatório técnico de validação de projeto.

Em sua seção 5, a ABNT NBR 6118:2014 recomenda que a ATP não seja um procedimento apenas para “grandes obras”, mas para qualquer estrutura de concreto armado ou protendido. Também pode ser realizada em paralelo ao projeto ou após a conclusão do projeto ou da estrutura. Resume o engenheiro civil Leonardo Braga Passos, vice-presidente de marketing da ABECE. “A ATP – Avaliação Técnica de Projetos – é, antes de tudo, uma solução natural e uma ação para valorizar, auxiliar e amparar o projetista estrutural, melhorar a qualidade técnica do projeto e tornar a atividade do projetista mais segura, equilibrada e com riscos minimizados”, diz.

A ATP deve ser realizada por pessoal técnico especializado, e não vinculado ao projetista. Veja o que diz a norma técnica em seu item 5.3.1. “A avaliação da conformidade do projeto deve ser realizada por profissional habilitado, independente e diferente do projetista, requerida e contratada pelo contratante, e registrada em documento específico, que acompanhará a documentação do projeto”, afirma. Na mesma norma, em sua versão revisada, a ABNT NBR 6118:2014 extraiu o termo “dependendo do porte da obra”, ou seja, atualmente, desde um estádio de futebol até uma portaria de veículos, desde que construídos com estruturas em concreto, todos devem se submeter a uma ATP.

Realização da ATP requer profissional experiente e medidas éticas

No 8º Ciclo de Atividades da Comunidade da Construção de Belo Horizonte-MG, realizado no dia 11 de dezembro de 2018, o engenheiro civil Leonardo Braga Passos apresentou um guia prático de procedimentos sobre como realizar uma ATP e suas implicações éticas. Ele ressalta: “É fundamental para o sucesso da ATP que seja contratado um profissional habilitado para a avaliação técnica do projeto e que este profissional não seja o próprio engenheiro estrutural que irá realizar o projeto. Um dos motivos de o avaliador (verificador, analista) ser independente é o fato de ser um profissional que irá verificar o projeto com ‘outros olhos’.”

O guia de procedimentos destaca ainda a importância da experiência profissional de quem vai realizar a ATP e também a importância de medidas éticas para a realização do trabalho. “Independentemente da obrigatoriedade ou não da norma, da norma ser lei ou não, devemos tomar como parâmetro que o papel fundamental da ATP é o de se evitar erros que poderão gerar acidentes e, para isso, é coerente que os profissionais sejam independentes e éticos”, complementa.

Entrevistado
Reportagem com base no relatório 2018 de atividades da Comunidade da Construção de Belo Horizonte, elaborado pelo Leonardo Braga Passos, vice-presidente de marketing da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE).

Contato
abece@abece.com.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

Créditos: cimentoitambe.com.br/massa-cinzenta/
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Gerenciar e coordenar projetos é sinal de racionalização do empreendimento evitando problemas entre sistemas

Ailton Pedro da Silva

Engenheiro Civil pós-graduado em Gestão de Projetos pelo Ietec

1- INTRODUÇÃO

Para se executar uma obra, por mais simples que seja, são necessários, no mínimo entre sete e oito projetos. Projetar se transformou, por isso num processo complexo que envolve planejamento.

O planejamento em qualquer atividade de uma organização é sempre encarado como uma rotina essencial. Entretanto, em grande parte dos projetos existentes, pouco se planeja, muito se executa e muito, mas muito mesmo, se gasta refazendo um trabalho que, com um devido planejamento, poderia ter sido evitado.

Costumeiramente, acredita-se que não é preciso dizer que, com um enfoque em projetos para uma organização, é extremamente necessário um planejamento criterioso de todas as possíveis nuances de um projeto. Normalmente, parte-se do princípio que todos os participantes de um projeto têm como princípio, um claro entendimento de que planejar é essencial. A realidade é bem distante desta visão.

Em Projetos, Planejar é FUNDAMENTAL!

O objetivo deste texto não é mostrar que essa premissa acima deve ser seguida a ferro e fogo em projetos. Mas focar que é essencialmente possíveis evitar transtornos, e assegurar um empreendimento mais próximo do ideal do cliente. Para que isso ocorra será preciso um grande enfoque no planejamento.

Do último ano pra cá, mais precisamente as décadas de noventa pra cá, o processo de projeto tradicional, que previa uma seqüência na qual uma etapa só começava após o término da outra, não faz sentido. Os novos conceitos vieram das indústrias seriadas na metade do século XX, para aumentar a produtividade diminuir custos e melhorar a qualidade final.

Como não poderia ser diferente a indústria da construção abraçou com convicção esta nova tendência, ou melhor, filosofia; (Engenharia Simultânea) que valoriza a integração entre os agentes minimizando a possibilidade de erros, re-trabalhos perdas de eficiências e defeitos.

Por esse enfoque integra-se o desenvolvimento do produto (empreendimento voltado para as necessidades do cliente) ao processo de produção e ao processo do projeto. Assim as etapas que antes eram pensadas separadamente, sem relacionamento uma com as outras e, por conseqüência abertas a erros, passam a ser concebida de forma integrada e coorporativa.

Mas para que isso aconteça é indispensável haver uma inteiração de todas as fases envolvidas, ou seja, coordenação de projetos: atividade de suporte ao desenvolvimento, voltada à integração dos requisitos e das decisões de projeto. A coordenação deve ser exercida durante todo o processo e tem como objetivo fomentar a interatividade, melhorando a qualidade dos projetos.

Basicamente os coordenadores estudam todas as interferências que ocorrem, desenvolvem os projetos para que os ajustes sejam feitos nas horas exatas, evitando gastos desnecessários e atrasos, elaboram cronogramas de acordo com a visão do planejamento, sugerem sistemas construtivos e novas tecnologias, além de soluções e arranjos bem sucedidos de outras experiências, cobram prazos, soluções alternativas, focam no resultado, além de promover e coordenar reuniões e muitas outras atividades.

Segundo o professor da Poli – USP, Sílvio Burratino Melhado, “a busca da qualidade na construção civil mostrou que o processo de projeto tornou-se um elo fundamental da cadeia produtiva”. Além de instrumento de decisão sobre as características do produto, o projeto influi diretamente nos resultados econômicos dos empreendimentos e interfere na eficiência de seus processos.

A decisão tomada nas fases iniciais do empreendimento tem grande participação na redução de seus custos, das falhas da execução e representam importante informação de apoio à produção e deve sempre ser revisado como melhores práticas nos empreendimentos vindouros.
Escopo do Coordenador
Algumas das diversas atribuições do coordenador de projetos são discutir e definir a diretriz para garantir seu atendimento, planejar o desenvolvimento das atividades esclarecendo escopo e prazos, analisar e solucionar problemas, promover a integração e a compatibilização entre os projetos, analisar e analisar criticamente as soluções de cada um, quanto ao atendimento das necessidades do cliente, tanto externo à empresa quanto interno, seja em relação ao custo, aos processos e técnica construtivos, tecnológicos ou à qualidade. Em linhas gerais podemos comparar o Coordenador com um maestro que conduz a orquestra e dá a sintonia.

Mas um escopo bem definidoe uma estratégia de planejamento profissional, infelizmente estão ainda longe da realidade brasileira. Na verdade, a recém criada AGESC (Associação Brasileira dos Gestores e Coordenadores de Projeto), com colaboração da Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo) vêm realizando um trabalho de detalhamento do escopo, possibilitando um planejamento produtivo em cada etapa do empreendimento, melhorando e possibilitando sucesso aos adeptos do gerenciamento, coordenação e controle dos empreendimentos.

2- GESTÃO DE PROJETOS NAS ORGANIZAÇÕES
Coordenação nas diversas fases
Fase A – Concepção do Produto

Apoiar o empreendedor nas atividades relativas ao levantamento e definição do conjunto de dados e de informações que objetivam conceituar e caracterizar perfeitamente o partido do empreendimento e as restrições que o regem, e definir as características demandadas para os profissionais de projetos a contratar.

Fase B – Definição do Produto

Coordenar as atividades necessárias à consolidação do partido e dos demais elementos do empreendimento, definindo todas as informações necessárias à verificação da sua viabilidade técnica, física e econômico-financeira, assim como à elaboração dos tramites legais.

Fase C – Identificação e Solução de Interfaces de Projeto.

Coordenar a conceituação e caracterização clara de todos os elementos do projeto do empreendimento, com as definições de projetos necessários a todos os ‘stakeholders’, resultando em um projeto com soluções para as interferências entre sistemas e todas as suas interfaces resolvidas, de modo a subsidiar a análise de métodos construtivos e a estimativa de custos e prazos de execução.

Fase D – Detalhamento dos Projetos

Coordenar o desenvolvimento do detalhamento de todos os elementos de projeto do empreendimento, de modo a gerar um conjunto de documentos suficientes para as perfeitas caracterizações das obras e serviços a serem executados, possibilitando: avaliação dos custos, métodos construtivos, novas tecnologias e prazos de execução.

Fase E – Pós-Entrega do Projeto

Garantir a plena compreensão e utilização das informações de projeto a todos os ‘stakeholders’ e sua correta aplicação; avaliando o desempenho do projeto em execução. Aplicar as referências das melhores práticas de empreendimentos passados.

Fase F – Pós-Entrega da Obra

Coordenar o processo de avaliação e retro alimentação do processo de projeto, envolvendo todos os ‘stakeholders’ do empreendimento e gerando ações para melhoria contínua em todos os níveis e atividades envolvidas.

3- CONCLUSÃO
A prática de gerenciar, coordenar projetos, nas instituições de forma macro está em franco crescimento. Percebe-se que as grandes empresas saíram na frente, e que as de porte menores e pequenas estão indo à mesma direção, portanto, existe um mercado promissor.

A coordenação, gerenciamento de projetos é uma possibilidade de aplicação de ferramentas e técnicas capazes de produzir resultados altamente positivos para a sobrevivência dos empreendimentos e organizações.

Com o aperfeiçoamento das técnicas de gerenciamento, coordenação e profissionalismo de nossos gerentes terão uma conscientização cada vez maior da necessidade de melhoria nos escopos, planejamento, gerando assim uma redução significativa nas áreas de custo, prazo, aumento da vida útil de nossos empreendimentos, consequentemente uma melhoria nos nossos produtos ofertados; garantindo a sobrevivência de nossas empresas no mercado.

4- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DINSMORE, Paul Campbell. Gerência de Programas e Projetos. São Paulo: Pini, 1992.

PMBOK – Um Guia para o Corpo de Conhecimento em Gerenciamento de Projetos, Project Management Institute, 2004.

TISAKA, Maçahiko. Orçamento na Construção: consultoria, projeto e execução. São Paulo: Pini, 2006.

TÉCHNE A REVISTA DO ENGENHEIRO CIVIL São Paulo: Pini edições 109, 111 e 112/06.

HELDMAN, Kim. Gerência de Projetos: guia para o exame oficial do PMI. Rio de Janeiro: Campus, 2003.

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